quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sintonia e Vibração


Imaginemos alguém que, com um perfume muito forte, permanece determinado tempo em ambiente fechado. A fragrância do seu perfume irá se espalhar pelo ambiente, que ficará impregnado, durante algum tempo, com o odor característico. Da mesma forma, o resultado do que pensamos e sentimos, fica indelevelmente plasmado naqueles ambientes que mais costumamos freqüentar.
Assim, os nossos lares, os ambientes de trabalho, os locais onde se realizam cultos religiosos e de outros tipos, ficam com suas atmosferas marcadas pelas formas-sentimento e formas-pensamento que comumente ali são expressadas. Quem penetrar em um desses ambientes, inconscientemente ou não, se sentirá inclinado a sintonizar-se psiquicamente com as vibrações ali caracterizadas, sejam agradáveis ou desagradáveis.
Por outro lado, se alguém com um perfume muito forte nos abraça, inevitavelmente herdaremos o odor que dessa pessoa é emanado, seja ele prazeiroso ou não. Da mesma forma que o perfume alheio nos invade a atmosfera pessoal, as vibrações espirituais de quem nos abraça também nos invadem a organização íntima, nem que essa troca energética se processe - e também se conclua - em poucos segundos, tempo necessário para que as defesas energéticas da aura administrem a invasão energética. Em resumo, estamos sempre marcando, com a "nossa fragrância espiritual", as pessoas e os ambientes com os quais convivemos e, ao mesmo tempo, recebendo a suas influências. Quando e se, as nossas defesas espirituais estiverem em boa forma, assimilaremos apenas o que nos for positivo e rechaçaremos o que não for. Esse processo é inconsciente, como também o é o da defesa orgânica que os anticorpos promovem em nosso corpo, sempre que necessário. É tudo tão rápido que o cérebro físico-transitório não dá conta, apesar de ser ele que administra todo o processo, como também o faz, a nossa mente espiritual, quando o caso se relaciona com as vibrações de terceiros que nos invadem o espírito.
É importante perceber que, uma simples troca de olhares, um aperto de mão, um abraço, uma relação sexual, por exemplo, são situações em que a troca energética acontece, independentemente de querermos ou não. Quando a nossa resultante de defesa vibratória é positiva - normalmente assim o é nas pessoas que tem bom ânimo, não se deixam entristecer pelos fatos, são disciplinados no campo da oração e/ou meditação etc. - pouco nos invade a energia alheia, se isto for nos servir de transtorno ao nosso equilíbrio energético. Ao contrário, se estivermos em baixa condição de defesa energética, tal qual um prato de alimento estragado que inapelavelmente irá causar 'estragos" no nosso organismo, a energia deletéria alheia nos desarmonizará durante pouco ou muito tempo, conforme for a nossa capacidade psiquica-espiritual em restabelecer o equilíbrio que nos caracteriza, seja ele de que nível for.
As crianças pequenas que sequer andam, normalmente tem energia passiva, e sofrem um bocado quando ficam "passando de braço em braço", recebendo verdadeiras descargas energéticas que normalmente lhes causam desequilíbrios de toda ordem. Se os pais terrenos disso soubessem, outras seriam as suas posturas em relação a permitirem que seus filhos andem de "braço em braço".
Portanto, estamos a todo momento, trocando energia com as pessoas e com os ambientes que nos rodeiam. O equilíbrio - leia-se, saúde espiritual - de cada um, é o único antídoto a impedir que as vibrações negativas, alheias à nossa organização espiritual, penetrem no nosso íntimo. Saber conviver sem sintonizar com a energia de terceiros é postura que somente os mestres de si mesmos conseguem plasmar na difícil coexistência com os demais. Ao contrário, se a toda hora temos a sensibilidade pessoal invadida por problemas e influências de outras pessoas e/ou situações, ficamos sempre à mercê dos "outros nos deixarem" ficar em paz. Assim, a nossa paz íntima dependerá dos outros, jamais de nós próprios; o nosso controle será sempre refém do descontrole alheio; a nossa fragrância espiritual estará sempre mesclada com a dos outros; enfim, dificilmente conseguiremos ser donos de nossa própria vida.
Se pretendemos ser os arquitetos e atores da nossa própria caminhada evolutiva é mister que cuidemos do nosso equilíbrio espiritual, escolhendo quando e como sintonizar com as vibrações alheias, seja em uma conversa, em um convívio mais íntimo, numa palestra, enfim, numa simples leitura, como é o caso que ora ocorre, pois, até o que lemos pode nos ser motivo de enriquecimento ou de desarmonia interior, já que é vibração que nos penetra a alma.
Lembremo-nos de que: a soberania espiritual passa necessariamente pelo controle das emoções; a saúde do nosso corpo dependerá da qualidade do que nos alimentamos; o equilíbrio do nosso espírito depende e, em muito, do que nos permitimos sintonizar, através dos sentidos.
Afinal, se a massa e energia são aspectos de um mesmo padrão existencial, sintonia e vibração formam o elo entre toda a massa e energia que existe, independente das formas transitórias que venham a assumir.
Melhoremos a nossa vibração pessoal e eduquemos os nossos padrões de sintonia. Isto feito, estaremos despertando no nosso íntimo, a grande herança que recebemos do Pai Celestial.

Fonte: Jan Val Ellam  - Livros: "Queda e Ascensão Espiritual" - Vialuz, ano 4, n° 16
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Barbeiro


Um homem foi ao barbeiro, e enquanto tinha seus cabelos cortados conversava com ele. Falavam da vida e de Deus.
Daí a pouco o barbeiro incrédulo não aguentou e falou:

- Deixa disso, meu caro, Deus não existe!
- Por quê você pensa assim?
- Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis passando fome! Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas e enxergar!
- Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é?
- Sim, claro que é!

O freguês pagou o corte e foi saindo quando avistou um maltrapilho imundo com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja e já abaixo do pescoço.
Não aguentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro:

- Sabe de uma coisa?
- Não acredito em barbeiros!
- Como?
- Sim, se existissem barbeiros não haveriam pessoas de cabelos e barbas compridas!
- Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim!
- Aha! Agora, você entendeu!

E lá se foi o freguês com um leve sorriso no rosto deixando para trás um barbeiro atônito com a verdade daquela interpelação!

Fonte: www.contoseparabolas.no.sapo.pt/02contos/fe.htm
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sábado, 3 de novembro de 2012

Umbanda - Origem e Sessão



As raízes da umbanda são ainda um grande mistério e não se tem como saber ao certo onde surgiu enquanto crença, o que se observa são as muitas semelhanças com os cultos afro brasileiros,  com as crenças dos negros escravizados, com a cultura indígena, sem falar nas semelhanças com as raízes dos cultos africanos.
O que se pode afirmar é que  possuem em comum a crença nas forças da natureza,  e   que o equilíbrio destas  forças é  capaz de modificar as energias ruins e revitalizá-las. Estes elementos da natureza, na Umbanda, são chamados de Orixás e cada um deles irá vibrar em seu elemento,  água, terra, fogo, ar, etc.
Embora estas crenças existam à muito tempo, a versão mais aceita sobre a origem da Umbanda é a que foi documentada pelo médium Zélio Fernandino de Morais, que em 15 de novembro de 1908 recebeu a entidade denominada Caboclo das Sete Encruzilhadas, que segundo afirmou, seria o responsável por ajudar a criar e difundir a religião que hoje conhecemos por Umbanda.
A partir de então, sob a orientação da espiritualidade, foi surgindo várias tendas (terreiros, centro ou casas) por todo o Brasil. Acredita-se que este avanço tenha sido responsável pela imensa variedade de vertentes da Umbanda, que conforme a localidade foi inserindo movimentos de culturas próprias.

Embora o culto Umbandista possa diferir em seus rituais, conforme o local e vertente de que façam parte, todos estão alicerçados nas seguintes crenças:

 - Existência de uma força criadora universal;
- Obediência aos ensinamentos que versam sobre: fraternidade, respeito ao próximo, caridade  e amor   incondicional, sendo a caridade a máxima encontrada em todas;
- Culto aos Orixás;
- Médiuns como intermediários das entidades;
- Doutrinas e regras de conduta moral e espiritual;
- Crença na imortalidade da alma;
- Leis cármicas (ação e reação).

A Umbanda apresenta aspectos interessantes e que fogem ao tradicionalismo das religiões, e mesmo que não exista uma regra escrita, TODOS os Umbandistas possuem um Pai ou Mãe de Santo,  que é o dirigente do terreiro.
O interessante e peculiar é que não existe nomeação e nem eleição, mas feitura de santo, que é o que determina o Pai/Mãe de santo, e sua palavra tem poder de decisão. São seguidos e respeitados em função da força de seu conhecimento (estudos e camarinha).
Os dirigentes do terreiro sempre seguem a orientação de um Orixá, que é considerado o chefe espiritual da casa, e sob a orientação deste orixá o Pai ou Mãe de Santo define todas as normas e regras ditadas para o funcionamento da casa.
É certo que cada terreiro de Umbanda tem suas regras, filosofias e  adaptações do ritual, mas sempre  respeitando as crenças acima citadas.

O Centro de Umbanda Pai Jacó de Angola também adaptou sua forma de  trabalho , filosofia e regras, e nosso objetivo, além de dar uma ideia da origem da Umbanda, é mostrar o funcionamento da nossa casa.
Como na maioria dos terreiros de Umbanda, a roupa é branca, pois é  capaz de refletir todas as outras cores, os médiuns antes de entrarem no terreiro tomam banho de descarrego (limpeza), que nada mais é que “lavar” as energias acumuladas no dia de atividades fora do centro (terreiro/casa) de umbanda.
Antes de entrarmos no terreiro temos a obrigação de salvar as cangiras, que é quando pedimos proteção e licença ao povo que cuida de nossos caminhos e que fazem a linha de defesa de nossa casa, que são os Exús e Pombas Giras.
Após salvar as cangiras podemos entrar no centro onde acontecem as giras/sessões, e após colocarmos nossas guias, que são um escudo de proteção para os médiuns, devemos pedir proteção e licença ao nosso anjo da guarda e aos Orixás da casa para termos uma boa gira, fortalecidos pelo tripé do equilíbrio que é a fé, esperança e caridade.  
Cumprimentamos uns aos outros, saudando e desejando uma boa gira, logo em seguida inicia a defumação do terreiro, dos filhos de santo e da assistência. Com estes preparativos   fechamos a corrente,  que é na  posição de  perfilados.
Abrimos a gira com a oração de agradecimento, pedindo proteção, força, paz e amor para iniciarmos a transformação energética.
Chamamos  os Orixás da noite com os pontos cantados, que tem a função de vibrar a corrente com a energia desejada  para o inicio dos trabalhos.  Os pontos  cantados são como uma oração e um mantra pedindo que venham até nós.

Nossa sessão é dividida em duas partes, sendo a primeira consagrada aos Orixás, que são energias da natureza   que não viveram na terra e que incorporam com a ajuda dos pontos cantados específicos para cada um deles.  O objetivo é equilibrar as energias para os trabalhos de atendimento.
Lembram que comentamos acima que as energias da natureza em equilíbrio geram uma forte energia revitalizadora? É isto que eles fazem! E é por isso que sempre falamos que as energias já foram transformadas e revitalizadas.
Nesta parte da sessão é fundamental estarmos, médiuns e assistência, sintonizados com pensamentos de fé. Pois neste momento o terreiro os médiuns e a assistência estão sendo preparados e se preparando para receber as entidades, que são os espíritos evoluídos e em evolução que já viveram na terra e tem a responsabilidade de orientar e ensinar tanto os médiuns como a assistência.

Na segunda parte vamos trabalhar com os protetores, guias e/ou mensageiros que com o auxilio dos pontos cantados serão recebidos pelos médiuns e virão  com suas características energéticas específicas. Por exemplo: Pretos Velhos pedem, entre outras coisas, cachimbo para utilizar a fumaça,  que tem a função de defumar o consulente no momento do atendimento. Estas  características e ferramentas solicitadas por cada entidade devem ser respeitadas, pois são elas o  apoio para o cumprimento de seu principal compromisso, que é levar a cada um de nós orientação,  conforto, esclarecimento e transformação do campo energético.
Por isto, tantas vezes ouvimos sobre a necessidade de mudarmos de atitude,  são nossas atitudes e pensamentos que determinam nosso campo vibratório, atraindo as energias semelhantes, sejam elas boas ou ruins.
Assim como é atendida a assistência também serão atendidos os médiuns sempre que necessário. Lembrando que a transformação energética já aconteceu, sendo o atendimento um suporte a mais para o consulente ou para os médiuns, visando conforto, esclarecimento e orientação.

Terminados os atendimentos as entidades partem para aruanda e devem receber como agradecimento os  pontos cantados que irão auxiliar na partida. 
Finalizamos agradecendo pela gira/sessão e pedindo força e proteção para a semana.
Todos nós, em sinal de respeito e agradecimento novamente batemos cabeça aos orixás. Ao sairmos do terreiro salvamos as cangiras agradecendo aos nossos guerreiros mensageiros por terem nos protegido e defendido, ajudando a transformar as energias e possibilitando uma boa gira.

Em  nosso ritual, do começo ao fim, é importantíssimo o silêncio (uma forma de respeito) para que possamos manter a  concentração  nos trabalhos e que as energias renovadas não se dissipem, de forma a permitir estarmos  conectados com  as energias liberadas e benéficas e  que nos auxiliam  nas transformações necessárias e na manutenção do equilíbrio. 

Que juntos, médiuns e assistência, mentalizados no poder da fé , esperança e caridade possamos cumprir com a função que cabe a cada um de nós! 

Muita luz, saúde e paz a todos!

Autora: Valéria Braz
Revisão: Kika – Chefe do Terreiro

Fonte da Imagem: google

sábado, 27 de outubro de 2012

A Medida das coisas


Fui a um casamento lindo. A noiva estava deslumbrante, radiante e lindíssima. Festa, música, dança. Muita alegria e também tristeza. O pai do noivo, que ficara doente há poucos meses, depois de altos e baixos durante seu tratamento, faleceu há exatas duas semanas dessa data tão especial e aguardada. Que complicado!

Casamento planejado, elaborado, pago, agendado. Tão ansiosamente esperado. Convites entregues, presentes recebidos.

Ainda no hospital, o pai do noivo, que era uma pessoa boníssima e querida por todos, opinou que se mantivesse a data, obviamente não imaginando que não estaria presente. Porém, aqueles que bem o conheciam acreditam que ele, mesmo depois de sua morte, não gostaria de ver a festa canelada.
Discutiu-se entre os familiares o cancelamento do evento e sua substituição por algo bem mais simples em outro dia.

Pelo que sei, ao ouvir até então apenas um lado da história, os noivos optaram pela manutenção da data. Alguns dizem que o noivo foi fraco em submeter-se à vontade da noiva (a malvada), responsabilizando-a pela festa num momento tão delicado. Mas acredito que a difícil decisão deva ter sido tomada em conjunto.

Alguns parentes da viúva não vieram de longe por não encontrarem motivos para festejos e alguns parentes do pai falecido vieram de outro país para prestigiar a família num momento tão peculiar, nesse misto de tristeza e alegria e desejar felicidades aos noivos.

Profundamente desgostosa, infeliz e intensamente contrariada, a mãe do noivo viu-se obrigada a fazer seu papel. Pôs-se linda, estampou um sorriso no rosto e assim passou a festa toda. Sem entusiasmo, mas com charme, ao mesmo tempo em que parentes da noiva e amigos de ambos estavam felicíssimos pela festa tão bonita e alegria do casal, porém já maculada pela tristeza da perda e ausência daquela pessoa tão especial.

Enquanto passavam na tela aquelas fotos comuns nesses eventos, víamos nelas a imagem tão viva e feliz do pai falecido e podíamos sentir que ele estava presente naquela comemoração dentro de cada um de nós que com ele conviveu.

Via-se estampado no rosto do comedido noivo um misto de felicidade e tristeza, arrisco também alguma culpa por não “poder” sentir-se tão feliz no seu dia enquanto a noiva era puro glamour e felicidade absoluta pelo seu dia de princesa. Que confusão de emoções! Mas um sonho não se dimensiona. As dores e a alegria também não. Atitudes certas ou erradas? Qual a medida das coisas?

Há pouco menos de um ano, a mãe de um amigo muito querido (ela também muito querida por todos os amigos dele) morreu após uma luta perdida contra um câncer. Enquanto acamada, ela dizia que queria uma cerveja. Falei que compraria uma sem álcool e ela me xingava, dizendo que isso não era cerveja. No dia do enterro eu falei: Agora eu vou beber aquela cerveja por você! Ainda no cemitério, o filho dela, meu amigo, muito triste, reuniu os amigos mais próximos e disse: “Vamos beber à véinha!!!” (como ele a chamava carinhosamente). E lá fomos nós para o bar, beber e brindá-la, e beber e brindá-la com alegria. O garçom achou que fosse brincadeira e meu amigo ameaçou mostra-lhe a certidão de óbito. Ela sabia do respeito que tínhamos por ela e ali estava ela em cada um de nós, tomando sua merecida cerveja.

Não sabemos o desfecho do nosso amanhã. Por mais que o planejemos, tudo pode mudar. Acho que precisamos aprender a ter desenvoltura e flexibilidade quando a circunstância pede e não julgar as atitudes do outro pelo nosso prisma, que é único, só nosso!

Quando a vida nos prega peças e surpresas que fogem ao nosso controle, é melhor observar o momento e aprender com ele para tentar entender que a medida das coisas é muito variável.

By Clarissa Porciuncula


Fonte: http://www.discutindoarelacao.com.br/?p=1992

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As almas que se amam se encontram em outra vida?


Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito. Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós. Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação. O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.

O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir. É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).

Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.

E porque Deus faria isso?
 Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.
Imaginemos…

Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências. Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias. Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.

Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.
Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo.

Vania Loir Vasconcelos

Fonte:www.espiritismo-amor-sem-fronteiras.blogspot.com.br
Fonte da imagem: Google

sábado, 13 de outubro de 2012

O Bem Disposto



Zezinho era um tipo de pessoa que vocês iriam adorar. Ele sempre estava de alto astral e sempre tinha algo otimista para dizer. Quando alguém perguntava a ele "Como vai você?", ele respondia: "Cada vez melhor: Melhor que isso, só dois disso!".
Ele era o único gerente de uma cadeia de restaurantes, porque todos os garçons seguiam seu exemplo. A razão dos garçons seguirem Zezinho era por suas atitudes. Ele era naturalmente motivador. Se algum empregado estivesse tendo um mau dia, Zezinho prontamente estava lá mostrando ao empregado como olhar o lado positivo da situação.
Observando seu estilo me sentia realmente curioso, então um dia eu perguntei para Zezinho:
- Eu não acredito!! Você não pode ser uma pessoa otimista o tempo todo. Como você consegue?
- Toda manhã eu acordo e digo a mim mesmo: Zezinho você tem duas escolhas hoje: escolher estar de alto astral ou escolher estar de baixo astral. Então eu escolho estar de alto astral. 
A todo momento acontece alguma coisa desagradável, e posso escolher ser vitima da situação ou  aprender algo com isso. Escolho aprender algo com isso! Todo momento alguém vem reclamar da vida comigo, eu posso escolher aceitar a reclamação, ou apontar o lado positivo da vida para a pessoa. Eu escolho apontar o lado positivo da vida.
- Tá certo!! Mas não é tão fácil assim!!
- É fácil sim. A vida consiste em escolhas. Quando você tira todos os detalhes e enxuga a situação, o que sobra são escolhas, decisões a serem tomadas. Você escolhe como reagir as situações. Você escolhe como as pessoas irão afetar no seu astral. Você escolhe estar feliz ou triste, calmo ou nervoso. 
Em suma: É escolha sua como você vive sua vida!
Eu refleti no que Zezinho disse.
Algum tempo depois eu deixei o restaurante para abrir meu próprio negocio. Nós perdemos contato, mas freqüentemente eu pensava nele quando eu tomava a decisão de viver ao invés de ficar reagindo as coisas.
Alguns anos mais tarde, eu ouvi dizer que Zezinho havia feito algo que nunca se deve fazer quando se trata de restaurantes, ele deixou a porta dos fundos aberta e consequentemente foi rendido por 3 assaltantes armados.
 Enquanto ele tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo de nervoso errou a combinação. Os ladrões entraram em pânico, atiraram nele e fugiram. Por sorte, Zezinho foi encontrado relativamente rápido e foi levado as pressas ao pronto-socorro local. 
Depois de 18hs de cirurgia e algumas semanas de tratamento intensivo, Zezinho foi liberado do hospital com alguns fragmentos de balas ainda em seu corpo. Encontrei com Zezinho 6 meses depois do acidente. Quando eu perguntei: “Como vai você?" ele respondeu: "Cada vez melhor: Melhor que isso, só dois disso!! Quer ver minhas cicatrizes?"
Enquanto eu olhava as cicatrizes, eu perguntei o que passou pela mente dele quando os ladrões invadiram o restaurante.
- A primeira coisa que veio a minha cabeça foi que eu deveria ter trancado a porta dos fundos. Então, depois quando eu estava baleado no chão, eu lembrei que eu tinha duas escolhas: eu podia escolher viver ou podia escolher morrer. Eu escolhi viver.
- Você não ficou com medo? Você não perdeu os sentidos?
- Os paramédicos eram ótimos. Eles ficaram o tempo todo me dizendo que tudo ia dar certo, que tudo ia ficar bem... Mas, quando eles me levaram de maca para a sala de emergência e eu vi as expressões no rosto dos médicos e enfermeiras eu fiquei com medo. Nos seus olhos eu lia: "Ele é um homem morto". Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa.
- O que você fez? 
- Bem, havia uma enfermeira grande e forte me fazendo perguntas. Ela perguntou se eu era alérgico a alguma coisa e eu respondi que sim. Os médicos e enfermeiras pararam imediatamente esperando  minha resposta, eu respirei fundo e respondi: "Balas!". Enquanto eles riam eu disse: " Eu estou escolhendo viver. Me operem como se estivesse vivo, não morto. " 
Zezinho sobreviveu graças a experiência e habilidade dos médicos, mas também em função de sua atitude espetacular. 
Eu aprendi com ele que todos os dias temos que escolher viver a vida em sua plenitude, viver por completo.

Vamos escolher viver nossa vida com alegria e sabedoria!

Fonte: www.contoseparabolas.no.sapo.pt

sábado, 6 de outubro de 2012

Espiritualidade: Mente sã em um corpo são


Vou pedir licença ao poeta Romano Juvenal, para utilizar uma de suas frases mais famosas, dentro do contexto que eu quero construir. “Mens sana in corpore sano” foi escrita como parte integrante de um texto que tenta explicar o que as pessoas deveriam desejar na vida. Para mim, trata de uma expressão que implicitamente fala de equilíbrio. Equilíbrio entre o corpo, nossa parte física e palpável, e a mente, o lado imaterial, espiritual, de cada um. Estar saudável, então, passa a significar algo além dos resultados positivos nos exames médicos de rotina. Ganha um significado maior, que traduz um estado no qual tanto o corpo quanto a mente trabalham em sintonia.
A palavra espiritualidade tem hoje uma conotação pejorativa. Muitos fazem uma associação equivocada e imediata à religião. É como se o cuidado com a espiritualidade tivesse necessariamente de passar por visitas frequentes a algum templo religioso. Não, necessariamente, na minha compreensão de espiritualidade. Cuidar do corpo é até fácil, nos basta fazer os tais exames periódicos, adotar uma alimentação saudável e construir uma rotina que englobe exercícios físicos constantes. Mas cuidar do nosso lado imaterial não é tão simples assim e vai exigir da gente um esforço maior, uma dedicação ao “eu”.
O ser humano precisa sempre cuidar e orientar seu desejo
para que ao passar pelos vários objetos de sua realização – é irrenunciável que passe – não perca a
memória bem aventurada do único grande objeto que o faz descansar, o Ser,
o Absoluto, a Realidade fontal, o que se convencionou chamar de Deus.
O Deus que aqui emerge não é simplesmente o Deus das religiões,
mas o Deus da caminhada pessoal, aquela instância de valor supremo,
aquela dimensão sagrada em nós, inegociável e intransferível.
Essas qualificações configuram aquilo que, existencialmente, chamamos de Deus.

Leonardo Boff
Falar de espiritualidade exige uma compreensão maior do ser humano, a de que ele é resultado da conjugação de espírito e corpo. Boff alerta para a visão atual, distorcida, de que há uma dualidade entre estes dois vértices. “Perdeu-se a unidade sagrada do ser humano vivo que é a convivência dinâmica de matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados”, é o que ele diz em um de seus textos que tratam da espiritualidade. O que sinto diariamente é que precisamos mesmo entender a importância desta conexão. Hoje estamos mais preocupados com o corpo sarado, o cabelo arrumado, o seio empinado. Esquecemos que nosso interior também precisa de cuidado, e é muito mais delicado.Não acho que seja fácil se distanciar deste mundo insano, dos barulhos diários, do tic-tac do relógio, das buzinas dos carros, por exemplo. É complexo. Muito, até. Mas é necessário, e quando conseguirmos perceber isso talvez encontremos uma forma de chegar a este estágio de interiorização, do encontro consigo e com Deus, o Deus maior que não está preso aos alicerces de uma igreja qualquer. Nesse processo, o silêncio é importante, a meditação é importante, a concentração em nossas próprias energias também.  Imprescindível é se afastar da aceleração social, buscar um lugar calmo, tranquilo, sossegado, aquele lugar que transpira paz.
Por fim o ser humano possui profundidade.
Tem a capacidade de captar o que está além das aparências, daquilo que se vê, se escuta,
se pensa e se ama. Apreende o outro lado das coisas, sua profundidade.
As coisas todas não são apenas coisas. Todas elas possuem
uma terceia margem. São símbolos e metáforas de outra realidade
que as ultrapassa e que elas recordam.

Leonardo Boff
Podemos nos esforçar um pouco mais. Podemos aceitar essa complexidade do nosso ser. Podemos, depois disso, buscar a mente sã em um corpo são. É só dedicarmos um pouquinho do nosso tempo àquele momento da consciência que nos ajuda a compreender o sentido e o valor do mundo, que nos ajuda a nos compreender como parte de um todo. Boff fala na necessidade de o homem “experimentar a sua própria profundidade”. Gente, o que eu estou falando aqui é de uma atitude nova. Mas uma atitude em relação a você mesmo. Pode parecer bobagem, exagero, insignificância… mas nós não precisamos deixar apenas parecer, se podemos praticar e tirar as nossas conclusões com relação a isso.
Esse post daqui é um convite. Um convite para que todos nós nos dediquemos um pouco mais ao que os outros não podem ver com os olhos, mas podem sentir com suas almas. A gente pode se despir dos preconceitos e pensar na ideia. Pelo menos pensar na possibilidade de sair dessa loucura em algum momento da sua semana, do mês, e colocar em prática a possibilidade de dedicar estes momentos a cuidar do seu interior. Não tem uma fórmula secreta, porém há iniciativas. Uma oração, uma meditação, alguns momentos dedicados à reflexão… Que tal?
                                                                                                                                          Alane Virgínia